sexta-feira, 11 de abril de 2008

Breve história do hipertexto

Em 1945 Vannevar Bush concebeu uma idéia ancestral ao Hipertexto no artigo As We May Think onde afirmava que o ritmo vertiginoso da soma dos conhecimentos, estava em descompasso com a evolução dos meios de armazenamento e acesso a dados, e sendo assim, imaginou uma máquina capaz de estocar grande quantidades de informações, que fossem fácil e rapidamente localizáveis. Com este invento ele esperava suprir as falhas da memória humana com um artefato mecânico.

Posteriormente Ted Nelson escreveu um manifesto Computer Lib (1974), onde propôs os princípios do que hoje conhecemos como hipertexto gerando informações interligadas. Ted trabalhou muitos anos no sistema utópico Xanadu, que seria uma ambiente auto-evolutivo que vincularia toda informação presente e futura do Planeta (CASTELLS, 2001, P. 18)

Mas 1990 Tim Berners Lee criou o Word Wide Web – WWW. que possibilitou uma melhor organização nos sites da Internet, classificando-os por informação e não por localização e oferecendo aos usuários um sistema fácil pesquisa. Logo surgiram outros recursos como HTML, URL, HTTP, novos navegadores, o mundo inteiro absorveu a Internet criando uma verdadeira teia mundial (CASTELLS, 1999, p 88).

Referências:

BUSH, Vannevar. As We May Think. Atlantic Monthly, v. 176, n. 1p. 101-108, 1945. Disponível em : . Acesso em 03 abril 2008.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede - a era da informação: economia, sociedade e cultura. 7a. ed. Tradução: Roneide Venâncio Majer. São Paulo: Paz e Terra, 1999, v.1.

--------------------------. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Tradução: Maria Luiza X. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

sábado, 15 de março de 2008

A trapaça do Design

O filósofo Vilém Flusser (2007), em seu texto “Sobre a palavra design” sugere que o design faz com que toda cultura seja uma trapaça. Analisaremos brevemente alguns aspectos deste ensaio relacionado-os com a teoria sócio-histórica de Vygotsky.

Utilizando como exemplo a alavanca, Flusser afirma que o seu design é uma imitação do braço, um braço artificial que busca enganar a natureza por meio da técnica.

“Esse é o design que esta na base de toda cultura: enganar a natureza por meio da técnica” .(FLUSSER, p.184)

Neste sentido Engels em seu trabalho “A dialética da Natureza” afirma que a especialização da mão, conforme (1976, p.40), resulta na surgimento do instrumento (ferramenta), “e o instrumento implica a atividade especificamente humana, a reação transformadora do homem sobre a natureza... O Homem difere dos outros animais porque faz com que a natureza sirva aos seus propósitos, dominando-a". Para Flusser, um ser humano é um design contra a natureza.

A função de elemento mediador nos processos de interação do homem e seu ambiente atribuída por Engels aos “instrumentos”, foi estendida aos signos pelo psicólogo russo Vygotsky (1984, p.9). Em sua teoria sócio-histórica desenvolvida em colaboração com o neuropsiquiatra Luria “os sistemas de signos (a linguagem, a escrita, o sistema de números), são criados pelas sociedades ao longo do curso da história humana e mudam a forma social e o nível de seu desenvolvimento cultural”. A analogia entre o signo e o instrumento esta fundamentada na função mediadora presente nestes conceitos.

Para Vygotsky o controle da Natureza e o controle do comportamento estão interligados, a intervenção do homem sobre a natureza altera a própria natureza humana. Da mesma forma o uso de signos condiciona o ser humano a uma estrutura particular de comportamento e cria processos psicológicos enraizados na cultura.

Neste contexto podemos pensar na função mediadora do design, que por meio da superação da separação entre arte e técnica, nos proporciona viver de modo cada vez mais artificial (mais bonito), substituíndo o que é autêntico por artefatos artificiais perfeitos ( Flusser, 2007). Se pensamos na abordagem de Vygostsky podemos sugerir que o design modifica a forma social e o desenvolvimento cultural das sociedades o que resulta no condicionamento do comportamento.

“Graças a palavra design toda cultura é uma trapaça, de modo que somos trapaceiros trapaceados, e de que todo envolvimento com a cultura é uma espécie de auto-engano” (FLUSSER, p. 185).

Para Marx (1988, p. 204) os homens “usam as propriedades mecânicas, físicas e químicas dos objetos, fazendo-as atingirem como forças que afetam outros objetos no sentido de atingir seus objetivos pessoais”.

Flusser, ao fazer uma auto-análise dos objetivos de seu ensaio, se propõe a uma confissão: de que seu texto segue um design determinado: Revelar aspectos pérfidos e ardilosos da palavra design que normalmente ocultados. Se tivesse optado por outro design provavelmente chegaria a uma explicação totalmente distinta e igualmente plausível. Desta forma afirma Flusser: “tudo depende do design”.

Referências:


ENGELS, Friedrich. A dialética da natureza. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

MARX, Karl. O Capital - crítica da economia política. Livro 1, Volume I. 14 ed. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil , 1994

VIGOTSKI, Lev Semenovich. A formação social da mente: O desenvolvimento de processos psicológicos superiores. Tradução: Jose Cipolla Neto. São Paulo: Editora Martins Fontes, 6a. ed. 1998.